A ilha de Robinson Crusoe: uma metáfora da humanidade

 


Viçosa do Ceará, 03 de outubro de 2021.

 

Amigo (a) leitor (a),

Para início de conversa, lá vai uma pergunta retórica: o que você faria se estivesse sozinho (a) em uma ilha deserta?

Tudo bem! Esse questionamento já está desgastado, mas quem nunca sentiu vontade de sair para algum lugar, sem rumo, longe de tudo e de todos em busca de algo?

Isso aconteceu com nosso amigo Robinson Crusoe. Aquele mesmo, que originou tantos livros e filmes cujo enredo apresenta uma personagem perdida em uma ilha, lutando por sua sobrevivência e, posteriormente, retornando ao seio da sociedade. O fato é: quando esse tipo de enredo foi escrito pela primeira vez em forma de prosa, por Daniel Defoe, nasceu uma nova forma de escrita literária, não apenas para a literatura ocidental, mas para a literatura realista em forma de romance, ou novel, e não vamos confundir com as famosas escolas literárias, enfim, esse comentário daria material para outras reflexões.

Depois dessas divagações, vamos ao que interessa! Após você ter entrado nesse mundo de aventuras por meio da visão colonialista e pelo viés da solidão, agora é o momento de pensar em um dos cenários que é um símbolo marcante na obra de Defoe, ou seja, a ilha em que Crusoe passa a viver logo após o naufrágio que sofreu.

Desse modo, a ilha em que Crusoe viveu por longos anos será nossa personagem principal. Vamos pensar sobre o que essa ilha pode representar. Assim, navegando pela obra de Defoe, temos uma primeira visão sobre esse ambiente: “[...]estava numa ilha cercada a toda roda pelo mar, sem outra terra à vista, exceto alguns arrecifes que se erguiam a uma grande distância e duas ilhas pequenas, menores que esta, à distância de umas três léguas para oeste”. (DEFOE 2001, p. 79).

É nesse ambiente que a narrativa mais conhecida das aventuras de Robinson Crusoe acontece, de modo que Corrêa (2007, p. 63) afirma que “[...] a ilha de Crusoe exprime a metáfora do solo americano que será não somente a possibilidade do paraíso, mas também a terra passível de ser explorada”. Após observar a longa jornada de Crusoe pela ilha, pode-se perceber a clara existência dos dois lados nesse ambiente: um representando refúgio, abrigo, repleto de coisas boas, e do outro lado que representa perigo, lugar onde os índios que praticam antropofagia visitam constantemente, tornando-se local fatal dentro da narrativa. Como disserta Gois (2016, p. 24): “A ilha, em Defoe, é um motivo fantástico que surge como refúgio para Crusoe, mas também como lugar de desafios, de eventos fora do comum, do descobrimento de si mesmo e do outro”.

Vejamos que, o lado da ilha em que Crusoe se vê em terra firme, após o naufrágio, é justamente o lado que não lhe oferece perigo, e por força do destino começa uma nova jornada, como pode-se observar no seguinte trecho: “Agora eu estava em terra firme, a salvo e protegido; ergui os olhos para o Céu e agradeci a Deus por minha vida ter sido salva numa situação em que, poucos minutos antes, caberia muito pouca esperança.” (DEFOE 2001, p. 72). Com isso, nossa personagem encontra mecanismos não apenas para sua sobrevivência, mas para o início da construção de seu reinado.

Por conseguinte, durante todo o percurso de Crusoe, a ilha em que vive mostra sua outra face, vejamos: “Quando cheguei ao pé da encosta, na praia, como disse acima, na ponta sudoeste da ilha, fiquei absolutamente confuso e pasmo; nem sei como explicar o horror que me veio à mente ao ver a areia coalhada de crânios, mãos, pés e outros ossos de corpos humanos; [...]”(DEFOE 2001, p. 180). 

Perceba, caro(a) leitor(a), quando focamos nesse ambiente insular e o comparamos com o primeiro espaço habitado por Crusoe, pode-se encontrar e confrontar muitas características próprias da humanidade personificadas na ilha: seus lados virtuosos e viciosos, a imprevisibilidade, as relações pessoais e coletivas, enfim, dentre tantas características, pode-se evidenciar, na ilha de Crusoe, esses dois lados da humanidade: o bom e o ruim, bem como os conflitos internos e externos que cada lado da ilha propicia à imaginação.

Por hora, essas reflexões são apenas algumas das muitas que se pode extrair de uma obra tão rica, que motivou tantas adaptações e releituras até a atualidade.

Despeço-me por aqui, amigo (a) leitor (a). E caso tenha vontade de contribuir com esse breve comentário sobre a ilha de Crusoe, ficarei contente em ler suas percepções.

Até qualquer hora!

 

REFERÊNCIAS

DEFOE, Daniel. ROBINSON CRUSOE. Disponível em: < https://www.matinaljornalismo.com.br/wp-content/uploads/2021/03/robinson-crusoe-daniel-defoe.pdf> . Acesso em 30 set. 2021.

GOIS, Walmir Lacerda. A ILHA DE LANZAROTE E O IMAGINÁRIO INSULAR: “O CONTO DA ILHA DESCONHECIDA”, DE JOSÉ SARAMAGO. Disponível em: < https://bdm.unb.br/bitstream/10483/16472/1/2016_WalmirLacerdaGois_tcc.pdf> . Acesso em 01 out. 2021.

CORRÊA, Alexandre Furtado de Albuquerque. METÁFORAS DO ARQUIPÉLAGO: DIVERSIDADE E TRANSCULTURAÇÃO NAS AMÉRICAS. Disponível em: <https://repositorio.ufpe.br/bitstream/123456789/7419/1/arquivo446_1.pdf> . Acesso em 01 out. 2021.


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