Ibiapina, 04 de Outubro de 2021
Olá leitores! Espero que estejam todos bem.
Hoje vim por meio desta carta, contar um pouco sobre as minhas percepções sobre a providência divina presente na obra Robinson Crusoe, de Daniel Defoe, providência essa que foi fundamental para que Robinson permanecesse firme em seu exílio até ser resgatado.
Robinson é um jovem britânico que corre em suas veias um desejo em desbravar o mar e conhecer o mundo, porém essa ideia não é aprovada por seu pai, que o aconselha continuar na cidade de York e viver na tranquilidade. Em uma oportunidade Robinson parte em um navio, mas mal sabia quantas tormentas iria enfrentar. Durante a primeira viagem, a tripulação enfrenta uma tempestade e faz Robinson refletir sobre sua desobediência e decidir retornar à casa de seu pai. No momento de apuros faz diversas promessas, as quais são esquecidas assim que passa o o medo.
Eu não tinha, ai de mim, nenhum conhecimento religioso. O pouco que tinha recebido graças à boa instrução do meu pai estava, àquela altura, desgastado já havia oito anos por uma série ininterrupta de pecados de marujo, além de conversas constantes apenas com pessoas que, como eu, eram pecadoras e profanas ao mais alto grau. Não recordo que eu tivesse, em todo esse tempo, sequer me dado o trabalho de elevar os olhos para Deus, ou voltado o olhar para dentro de mim mesmo na intenção de refletir sobre meu modo de ser. Eu tinha sido completamente tomado por uma certa estupidez da alma, sem aspiração ao bem ou consciência do mal, e me tornara a criatura mais calejada, irrefletida e perversa que se pode imaginar de um marujo comum, sem qualquer noção do temor a Deus no perigo ou de agradecimento a Deus na salvação. (DEFOE, p. 111)
Várias aventuras e perigos são enfrentados por Robinson nas viagens que faz, porém a presença de uma providência divina sempre o defende da morte e dos perigos. A intervenção divina é bastante perceptível durante sua estadia na ilha pois apesar de estar sozinho em uma ilha deserta nada falta para sua sobrevivência, a princípio consegue resgatar do navio naufragado vários itens que garantem sua alimentação por um bom tempo.
Recupera, entre outros, ferramentas, armas, pólvora e uma bíblia, que será sua companheira e conselheira na ilha por muito tempo. Robinson passa a estudá-la diariamente e entender os desígnios de Deus em sua vida, agradecendo tudo que O Senhor lhe fornece. Sementes de cevada e arroz brotam sem nenhum manejo, então ele vê nisso o quanto Deus é bondoso para ele. Em excursão pela ilha encontra cachos de uva, melões e diversas outras frutas, descobre cabritos selvagens, que mais adiante começa a domesticá-los.
No dia seguinte, 16 de julho, tornei a tomar o mesmo caminho, e depois de chegar um pouco mais longe que na véspera reencontrei o riacho, as savanas começaram a rarear e a mata se mostrou mais fechada que antes. Nessa parte encontrei diferentes frutas, especialmente melões no chão em grande abundância e bagas de uvas nas árvores. As vinhas se espalhavam pelas árvores, e os cachos de uvas se encontravam exatamente no auge, muito maduros e saborosos. Foi uma descoberta surpreendente, e fiquei muito feliz com ela; (DEFOE, pp. 120-121)
Observando as estações, Robinson domina várias técnicas da agricultura e a partir daí tem vários suprimentos para sua alimentação, aprende construir ainda, ferramentas e utensílios domésticos. A todos esses aprendizados agradece a Deus por se manifestar tão bondosamente, chegando a considerar a ilha melhor do que o mundo civilizado.
Essas manifestações fazem com que ele comece a entender e dar sentido a sua vida, pois anteriormente vivia sem objetivos, uma vida sem sentido. Quando ora e busca em Deus um auxílio, é sempre atendido e as palavras da bíblia dão consolo, passa então a ser grato por todas as coisas que Deus o-fornece, e entende que as dificuldades são frutos de seus pecados e de sua desobediência, sendo a ilha um lugar para sua redenção.
Ao longo de toda a obra, Robinson oscila em buscar em Deus solução para as dificuldades, e se aventurar quando essas amenizam. É na ilha que a presença divina se manifesta mais perceptivelmente, pois por estar sozinho, tem um Deus que está a seu dispor, por considerar a ilha um lugar sagrado. Percebemos que mesmo vivendo 28 anos longe de toda civilização, nunca é ferido ou fica doente gravemente, vence em todas as batalhas, não ocorre nenhum transtorno em sua mente, entre várias outras providências que lhe são oferecidas.
É inegável que houve uma ajuda superior para Robinson sobreviver, e no decorrer da obra ele passa seus aprendizados cristãos para outras pessoas, principalmente Sexta-feira. Porém utiliza esses ensinamentos como um instrumento para colonizar. E quando finalmente é resgatado da ilha e consegue recuperar suas riquezas, esquece de toda a experiência com Deus e sai novamente em busca de aventuras.
Caro leitor, estas foram as minhas observações, se você leu até o fim, deixo aqui meus agradecimentos.
Abaixo alguns artigos que usei como referência.
Silvani Medeiros.
REFERÊNCIAS
DEFOE, Daniel. ROBINSON CRUSOE. Disponível em: < https://www.matinaljornalismo.com.br/wp-content/uploads/2021/03/robinson-crusoe-daniel-defoe.pdf> . Acesso em 01 out. 2021
NETO, Geraldo Brandão. METRÓPOLE x COLÔNIA: A LEGITIMAÇÃO DA RELIGIÃO CRISTÃ DE ROBINSON CRUSOÉ CONTRA O PAGANISMO DE SEXTA-FEIRA. Disponível em: <https://sumarios.org/artigo/metr%C3%B3pole-x-col%C3%B4nia-legitima%C3%A7%C3%A3o-da-religi%C3%A3o-crist%C3%A3-de-robinson-cruso%C3%A9-contra-o-paganismo-de> . Acesso em 01 out. 2021
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