O sentimento de solidão de Robinson Crusoe

 




Viçosa do Ceará, 30 de setembro de 2021.


Olá para você que abriu essa carta, eu irei contar um pouco sobre a solidão de Robinson Crusoe, um jovem de 20 anos que que saiu para ver o mar, contra a vontade de seus pais.


 Robinson Crusoe traz um aspecto bem conhecido, que é a solidão. Robinson Crusoe sobreviveu a um naufrágio e ficou em confinamento em uma ilha deserta por anos sem nenhuma companhia humana. E isso trouxe diferentes maneiras de lidar com a solidão e as dificuldades que Robinson teve que lidar com sua nova realidade sendo dificultada, mas também isso vai trazer um aspecto onde o homem cria sua própria realidade, criando um mundo a partir da natureza selvagem de uma ilha deserta. 


Solidão não é o mesmo que estar sozinho, muitas pessoas passam por momentos em que estão sozinhas devido às circunstâncias ou escolhas. Solidão vai ser o estado de estar sozinho e isolado de outras pessoas e muitas vezes implica ter feito uma escolha consciente de ficar sozinho, a solidão pode ser descrita como um sentimento de isolamento de outras pessoas, independente de se estar fisicamente isolado de outras pessoas ou não.


Robinson Crusoe sobrevive em sua ilha e se adapta bem ao ambiente, com o tempo essa solidão vai pesando para, ele começa a desejar um pouco de companhia, e durante essa vivência na ilha, Robinson começa a treinar um papagaio para falar com ele apenas para que ele possa ouvir outra voz, mesmo que seja apenas uma repetição de suas próprias palavras, e isso já trouxe um pequeno alívio para ele. Crusoe ora a Deus perguntando por que está sendo punido de tal forma tão cruel. E isso meu caro leito, vai mostrar uma ideia de como Crusoe estava se sentindo naquele momento, sentimento extremo de infelicidade e solidão por conta de sua nova condição, e não tinha ninguém com quem ele pudesse compartilhar.




Na psicologia, os psicólogos encorajam seus pacientes a usar um tipo de terapia cognitiva para superar seus medos, ansiedade e a depressão. Na terapia cognitiva o paciente tenta mudar a maneira que pensa. Uma dessas terapias é a escrita, escrever seus pensamentos irracionais e negativos podem colocá-los em um modo racional e positivo, fazendo uma auto avaliação. Crusoe realiza essa prática de exercício.



"comecei então a considerar seriamente minha condição e as circunstâncias às quais fui reduzido, e comecei um esboço do estado de meus negócios por escrito, não tanto para deixá-los para qualquer um que viesse depois de mim - pois era provável que eu tivesse apenas poucos herdeiros - como para livrar meus pensamentos de debruçar sobre eles diariamente e afligir minha mente, e como minha razão começou agora a dominar meu desânimo, comecei a me consolar o melhor que pude, e a colocar o bem contra o mal, para que eu pudesse ter algo para distinguir meu caso do pior, e declarei com muita imparcialidade, como devedor e credor, os confortos que desfrutei  contra as misérias que sofri, assim, mal: fui lançado em uma ilha horrível e desolada sem qualquer esperança de recuperação. Bem: Mas estou vivo, e não me afoguei, como todo a companhia do meu navio" (CRUSOE, 1996, p. 33)



 Além da escrita e de seu papagaio, Crusoe realiza o desejo de encontrar uma companhia, depois de aceitar sobre sua nova realidade. Crusoe decide deixar Deus se tornar sua companhia, ele começa a ler a Bíblia e  começa a aprender sobre o cristianismo, o mesmo acredita que a providência de Deus vai moldando a vida de todos os homens em qualquer circunstâncias, pois é assim que Deus deseja.

No seu isolamento na ilha deserta. Crusoe é capaz de criar uma sociedade da qual não só depende para sobreviver, mas também depende dele. Defoe descreve que o confinamento solitário de Crusoe, embora seja um evento que ele viu como uma punição de Deus por seus pecados no início, com o tempo fez se tornar iluminado e também fez o perceber que sua nova vida estava sendo melhor que na Inglaterra. Com o tempo os pensamentos de Crusoe vão mudando, a ilha acaba tendo um efeito sobre ele, e esse efeito foi mais profundo do que o seu propósito de sobrevivência, e isso fez com que Crusoe se desenvolvesse mentalmente, fisicamente e espiritualmente. Em seus primeiros dias na ilha, Crusoe começa com um andarilho, sem rumo, sem saber andar em terras desconhecidas. E esse confinamento faz com que Crusoe finalmente pare de fugir de seus problemas  e faz com que ele enfrente seus medos e sua nova realidade. Ao invés de ficar em fúria contra sua desgraça, ele começa a fazer coisas positivas, aprende a trabalhar no ambiente e ele começa a ser capaz de encontrar tudo o que precisa para levar a vida adiante.

Podemos perceber que mesmo com toda a aceitação da sua nova vida, Crusoe daria qualquer coisa para que ter outras pessoas com ele na ilha. Mas isso não é o caso quando ele está caminhando pela ilha e encontra pegadas de outra pessoa na ilha, se fosse nos primeiros dias ele pularia de alegria, mas com se passaram anos e anos de isolamento e solidão, Crusoe começa a ficar paranóico e fica mais alerta, e isso se estende por vários anos, pois ao mesmo tempo que ele queria uma companhia, Crusoe sentia um anseio por encontrar essa pegada, pois ele temia que o pior pudesse acontecer, e isso acontece por ele estar em solidão por anos na ilha e isso começa a ter efeitos psicológicos no mesmo, os seus pensamentos desorganizados, seus sentimentos bagunçados e se sentindo ameaçado, e tudo isso fez com que seu psicológico fosse abalado e Crusoe mudou todo o rumo de vida e de seus pensamentos, pois agora ele se vira para ser um homem perigoso, pois no início ele sonha que alguém venha salvá-lo e depois de anos teme que alguém tente matá-lo, e logo depois desses acontecimentos ele conhece Sexta feira, um dos selvagens que ele salvou e se tornou amigo. É um turbilhão de sentimentos, Crusoe foi isolado de qualquer contato humano por mais de 15 anos, e isso levou a ter incerteza, paranóia, depressão e até um pouco de loucura. Depois de salvar sexta-feira, Crusoe fica satisfeito com tal ato  e fica feliz em ouvir outra pessoa, por mais que sexta-feira não falasse a mesma língua que Crusoe. Crusoe passa a acreditar que essa amizade foi um presente de Deus e que ele acredita que não vai ficar na ilha por mais tempo.



 “Cansados, finalmente, de todas as fadigas e emoções do dia, procuraram as suas camas, agradecendo Robinson ardentemente a Deus o beneficio de lhe ter dado um companheiro.(CRUSOE, 1996, p.100)

 Com todos os acontecimentos e até mesmo encontrado companhias como o sexta-feira. Crusoe se desenvolveu muito ao longo do romance para aceitar o que aconteceu com ele, mas perto do fim, o leitor vai perceber que a solidão começou a cobrar seu preço, Crusoe é capaz de sustentar a vida por si mesmo, mas também sentia falta do contato que teve com a sociedade. Os humanos são seres sociais e precisam do contato que não vem com a vida na solidão. 

Essas são minhas referências Bibliográficas:

The Project Gutenberg eBook of The Life and Adventures of Robinson Crusoe, by Daniel Defoe, gutenberg.org, 2021. Disponível em: <http://www.gutenberg.org/files/521/521-h/521-h.htm>. Acesso em 24/09/2021

JANSEN, Carlos. Robinson Crusoe. Digital.bbm. Disponível em: <https://digital.bbm.usp.br/bitstream/bbm/6745/1/45000020324_Output.o.pdf>. Acesso em 17/09/2021

ROMÃO, Cesar. O principio da solidão. Portaldoandreloi. Disponível em: <https://portaldoandreoli.com.br/cesar-romao-principio-da-solidao/>. Acesso em 27/09/2021

BARROSO, Sabrina Martins. OLIVEIRA, Nadyara Regina. ANDRADE, Valéria Sousa. Solidão e Depressão: Relações com Características Pessoais e Hábitos de vida em Universitários. Scielo.br. <Disponível em: https://www.scielo.br/j/ptp/a/gb4WHV8F5XW7XmrjyC5gPfg/?lang=pt#>. Acesso em: 30/09/2021

Obrigado por ter lido, até breve.

Diego Barreiros.

 






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